Agora...
Desliguei o relógio do mundo
Quando ancorastes
Nas ancas do vento
Acendi todas estrelas
E a lua, o lustre
Mais ilustre
À nos iluminar
Então parei o tempo
Com tempo para te amar
Tornando mágico cada segundo...
Não são fantasias
Nem o sonho louco
De um poeta em devaneio
Ou versos dispersos
Nem tresloucadas poesias...
Apenas alguém que ama
Com o peito aberto
Que o leito aquece, pouco a pouco
Com o coração em chamas
Esquecido do mundo...
E à tudo, alheio...
Nana Okida
Pincelando poesias...
Vejo te
Com arte...
No inverso
Dos meus versos
Na cantoria dos pássaros
No canto do meu quarto
Num olho d’água
No canto do olho
E em toda parte!
Vejo-te em mim
Com teu cheiro, impregnado
No tapete molhado
No lençol amarrotado
Nas flores do jardim!
Vejo-te assim
Nas dobras vivas
Da vida
Num banco da praça
Com hálito de hortelã
Na concha que te sacia
E enche de graça
No orvalho da manhã...
Numa grama macia!
Nana Okida

Na palma da mão
Só quero que saibas
dos meus defeitos
as qualidades são as que encontraste
meiga, amável, delicada e apaixonada
pequena, como disseste
caibo na palma da tua mão...
Perfeita em teus braços!
Ciumenta, insegura e carente
trago no coração
marcas profundas da falta de amor
mas não perco a euforia
a vontade, o desejo e o ardor...
Me ame assim
com tantos defeitos
e neste grito carente
digo-te a verdade...
Que é amar-te
eternamente!
Nana Okida
Pleonasmo Vicioso
Estrelas são cristais
Refletidos na areia
Estilhaços fragmentados
E salpicados
No céu da tua boca
Em noite de lua cheia
Num beijo fugaz...
Lobos em desatinos
Cães selvagens
Dilacerando as entranhas
Nesta dança lúdica
Ao som de um violino virtual
Sobre as águas do mar
Refletindo a tua imagem...
E, dentro deste abraço
Em movimentos desenfreados
Que mais pareciam espasmos
Da tua carne na minha carne
Num amplexo mortal
Quebrando paradigmas
De amor e sexo
Com múltiplos orgasmos!
Nana Okida
Sobre o beijo...
O beijo é uma declaração de amor,
que no mais absoluto silêncio,
faz eco na alma da gente.
Nana Okida
Vem
Não basta a lua cheia
Iluminar o lago
Nem basta ter
O ranger da areia
No solado do sapato
Numa cantiga alheia
É preciso ver!
Vem
Não basta o coaxar do sapo
No mês de agosto
Nem os pequenos cometas
Como pirilampos
Iluminando o céu
Ou o belo guapo
Cantando operetas
Pedindo ao vento
Que desnude teu véu
Mostrando teu rosto.
Vem, vem, vem!
Vestido de cata-vento
Despenteies a bela donzela
Encaracoles os pensamentos
Ofertando um sorriso à ela
Caminhando sob a branca pele
No regaço do teu interior
Sangue que o sangue sele
Num pacto de amor!
Nana Okida
É noite!
A temperatura continua caindo
A neve torna-se espessa
E o frio avança
congelante...
O vento assobia no telhado
fazendo coro com o tilintar de dentes
acordando os fantasmas
que rasgam o céu provocando algazarras...
Frívolos!
Eles vieram em busca dos seres indecisos, tristes
e desalmados...
A coruja pia!
Um relâmpago desenha o céu
num ballet único.
E as hienas confabulam e riem
e se ferem na luta pelos restos pútritos,
resíduos e dejetos...
Elas têm fome
aliam-se...
E imploram amor...
Nana Okida